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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Antigamente

Antigamente Frederico de Brito / Júlio Proença *fado modesto* Repertório de Lucília do Carmo 

 Antigamente, era coito a Mouraria Daquela gente condenada a revelia O fado ameno, canção das mais portuguesas Era o veneno p’ra lhes matar as tristezas A Mouraria Mãe do fado doutras eras Que foi ninho da Severa Que foi bairro turbulento Perdeu agora Todo o aspecto de galdéria Está mais limpa, está mais séria Mais fadista cem por cento Adeus tipóia com pilecas e guizeiras Adeus rambóia e cafés de camareiras. Nada mais resta da Moirama que deu brado Do que a funesta lembrança desse passado A Mouraria Que perdeu em tempos idos A nobreza dos sentidos E o pudor de uma virtude Salvou ainda Toda a graça que ela tinha Agarrada à capelinha Da Senhora da Saúde

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