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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Arraial

Acabou o arraial folhas e bandeiras já sem cor tal qual aquele dia em que chegaste tal qual aquele dia meu amor Pra que cantar se longe já não ouves o nosso canto ainda está na fonte o nosso sonho nas estrelas do horizonte Ainda nasce a lua nos moinhos ainda nasce o dia sobre os montes ainda vejo a curva do caminho ainda os mesmos sons as mesma fontes tu sabes meu amor não estou sozinho pelas salas do silêncio em que te escuto abro janelas ainda cheira a rosmaninho vejo-me ao espelho ainda vejo luto

Rodrigo Rebelo de Andrade, "Fado Santa Luzia" - "Dádiva"

Se morrer a descansar Eu peço a Deus, a cantar Que me deixe adormecer, Mas se vir o teu olhar Eu peço a Deus p'ra esperar, E não me deixar morrer. Põe a tua mão na minha Olha p'ra mim e caminha Quero ser a tua luz. Quero seguir os teus passos, Dar-te o meu corpo em abraços E levar a tua cruz Põe no teu olhar a esperança Faz de mim, nova criança, Acende o luar no céu. Põe a tua mão na minha Sorri p'ra mim e caminha, Que o teu caminho é o meu

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Fado do adeus

Carlos Leitão um excelente fadista
 Letra: António Almeida Santos
 Música: Casimiro Ramos (Fado três bairros)

 Custa tanto a dizer Este adeus que tem de ser A vida quis deste jeito Digo-te adeus, mas não digo Pois ficas sempre comigo Em saudade no meu peito Adeus, até cada rosto Em que eu veja esse desgosto Que com desgosto em mim viste Adeus até cada olhar Em que eu veja o teu olhar Como agora o vejo triste Adeus até cada fado Bem-fadado ou mal-fadado Que eu cantar pensando em ti Adeus até à saudade Da mentira ou da verdade Da vida que não vivi Adeus até cada grito Cada desejo infinito Dos beijos que te não dei Se outra boca eu beijar Beijá-la-ei a chorar Mas só a ti beijarei

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Ana Marques-Chaves da vida

Júlio de Sousa e música autoria de Moniz Pereira Eu tinha as chaves da vida e não abri as portas onde morava a felicidade eu tinha as chaves da vida e não vivi e a minha vida foi toda uma saudade Tanta ilusão que tinha e foi perdida, e tantas esperança no amor foi destroçada não sei porque me queixo desta vida, se não quero outra vida para nada Se foi para isto que nasci se foi só isto que hoje sou se foi só isto que mereci não vou não vou podem passar-me ao castigo olhos em fogo tudo acabou pode passar o amor mais lindo não vou ,não vou Eu tinha as chaves da vida e fui roubada mataram dentro de mim toda a poesia deixaram-me a tristeza que há no fado e a fonte dos meus olhos que eu não queria

ANTONIO JESUS - "Deixei de ser quem era"

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Eu sei que sou demais

Eu sei que sou demais na tua vida Eu sei que nem me vês tão apagada Apenas uma sombra indefinida O resto duma voz triste, cansada; Eu sei que sou demais na tua vida De tudo quanto fui, não sou mais nada Ai quem me dera prender o teu futuro E uni-lo ao meu, assim de tal maneira Como a era verde se prende ao velho muro E ali fica pela vida inteira Eu sei que sou demais na tua vida Eu sei que nada tens para me dar E sei que nesta luta estou vencida Por outro amor que tens no meu lugar; Mas sei amor, que tu na minha vida Ninguém, jamais ninguém, pode apagar

quinta-feira, 16 de março de 2017

Quem Me Quiser


Quem me quiser há-de saber as conchas as cantigas dos búzios e do mar. Quem me quiser há-de saber as ondas e a verde tentação de naufragar. Quem me quiser há-de saber a espuma em que sou turbilhão, subitamente Ou então não saber coisa nenhuma e embalar-me ao peito, simplesmente. Quem me quiser há-de saber a chuva que põe colares de pérolas nos ombros Há-de saber os beijos e as uvas há-de saber as asas e os pombos. Quem me quiser há-de saber a espuma em que sou turbilhão, subitamente Ou então não saber coisa nenhuma e embalar-me ao peito, simplesmente. Quem me quiser há-de saber as conchas as cantigas dos búzios e do mar. Quem me quiser há-de saber as ondas e a verde tentação de naufragar. Quem me quiser há-de saber as fontes, a laranjeira em flor, a cor do feno, A saudade lilás que há nos poentes, o cheiro de maçãs que há no inverno. Quem me quiser há-de saber a chuva que põe colares de pérolas nos ombros Há-de saber os beijos e as uvas há-de saber as asas e os pombos. Quem me quiser há-de saber a espuma em que sou turbilhão, subitamente Ou então não saber coisa nenhuma e embalar-me ao peito, simplesmente.



Deste me um beijo e vivi